Estamos no ônibus viajando para a nova cidade que o Senhor preparou para nós. Tenho agora, mais do que nunca, convicção de que Deus tem guiado nossos passos, arquitetado um grande plano, para cumprir Seus propósitos em nossas vidas e através de nós. Ele é o Senhor da história. Nesta viagem os propósitos divinos têm se revelado poderosamente. Não havíamos planejado, mas percebemos agora que não começamos pela Flórida, ou por Nova York, onde chegamos. Mas Deus nos levou a ministrar primeiro na região de Boston, lugar mais antigo deste país, onde chegaram os primeiros imigrantes ingleses, cristãos que buscavam liberdade de culto ao Senhor e que construíram este país sobre uma aliança de consagração ao nosso Deus.
Na primeira ministração, no teatro na cidade de Lynn, uma infra-estrutura excelente, com a presença e apoio do vice-prefeito da cidade, vários americanos, hispanos, e por volta de 500 brasileiros, fomos guiados pelo Senhor a uma noite de quebrantamento. Foi uma ministração muito pesada e difícil, mas nos demos totalmente, profetizando todo o tempo na direção do Espírito e tivemos vitória. Foram muitas palavras, visões do Senhor, vidas salvas e abençoadas. Ao término, parecia que realmente havíamos estado em uma luta.
No dia seguinte, amanhecemos diferentes. Havia alegria, como se algo novo estivesse nascendo naquele lugar. E a ministração realmente foi diferente. O lugar lotado, umas 1.200 pessoas, e a unção, as águas do Senhor corriam livremente. Se no dia anterior a direção foi arrependimento como nação brasileira, abençoando os EUA, no outro dia foi proclamação. O Senhor nos levou a declararmos Seus altos louvores, proclamando que Ele reina. A glória de Deus era quase palpável e no final, já embriagada do Espírito, houve um rompimento, pois vi os céus abertos sobre aquele lugar. Depois, conversando com a Zê, ela me contou as visões que teve. Foram muitas, gloriosas e poderosas. Os céus estão sendo rasgados. Aleluia!
Mas o que mais me marcou foi um ato profético que o Senhor preparou para nós na tarde de ontem. Quem nos falou sobre o tal lugar foi o Pr. Josimar Salum, que é um profeta brasileiro enviado aos EUA. Ele nos disse que estávamos próximos do monumento que marcava a “entrada” nos Estados Unidos da América. Eu e a Zê fomos até lá com um irmão precioso, chamado Wesley (certamente com um propósito, pois é o nome do grande avivalista do passado que pregava nessa região. Deu outra vez desejo ir até o local) e a Rita, uma irmã querida que nos serviu nesse dia. Fomos com eles a Plymouth, ao porto onde o navio MayFlower, que trouxe aqueles primeiros “missionários” chegou.
Entramos no MayFlower II, uma réplica feita há 50 anos. Orando ali dentro, chegamos a um lugar do navio onde uma jovem, vestida como nos dias antigos, estava sentada. Comecei a conversar com ela e descobrimos que ela é uma descendente dos primeiros puritanos, e ainda vive em uma vila que mantém as tradições daquele tempo. Ali ela trabalhava como uma atriz e falava conosco como se tivesse acabado de chegar às Américas. Ela tinha uma Bíblia. Quando perguntei sobre isso ela respondeu: “– Nem todos têm dinheiro para comprar uma Bíblia inteira, então compramos um dos livros que achamos importantes para nós. Este aqui é o livro dos Salmos. Foi um presente que ganhei da minha família antes de vir para cá”. Pedi a ela se eu poderia ler um Salmo, e ela disse que sim. Lemos o Salmo 51, e como o inglês era muito arcaico, de 1620, ela terminou a leitura para mim, e até nisso meu coração vibrou ao ver o que estava sendo profetizado. Arrependimento.
Disse a ela que meu nome era Ana, que significa graça. Ela disse que o nome dela era Desire, que significa desejo. Disse que é costume entre eles dar o nome das virtudes, como Fé, Esperança, e o dela era Desejo, desejo por Deus. Isso quase me fez não acreditar no que estava acontecendo. Era muito forte e significativo.
Ezenete começou a orar, e eu traduzi. Ela imediatamente levantou as mãos para receber, e foi um momento precioso. Saímos do navio e fomos a uma casinha de madeira, uma loja, onde comprei um prato onde estava escrito: “Give Thanks”, dai graças. Será uma lembrança de oração por este país, com o qual o Senhor tem uma aliança por causa dos antepassados que o consagraram a Deus.
Quando chegaram aqui era inverno, muito frio, rigoroso. Eles agiam por fé e semearam as sementes. Disseram a Deus que se os abençoassem eles consagrariam as primícias, e separariam um dia para Ações de Graças. E o Senhor os escutou. E o Senhor construiu uma grande nação a partir deles. Todos os anos, em 24 de Novembro, esta nação pára para agradecer. As famílias se reúnem e comem juntas e dão graças ao Senhor.
É certo que os EUA precisa voltar para o Deus dos seus antepassados. E foi essa a Palavra que o Senhor nos deu. Isaías 51, Neemias 9:32-37. Palavras de arrependimento e retorno, despertamento para voltar ao Senhor e consagração principalmente das finanças a Deus (pois Mamom se tornou o deus deste país, e toda sorte de imundície e degradação tem assolado este povo e esta terra). E foi isso que fizemos diante do monumento que foi construído ao redor da pedra que marca a chegada dos puritanos.
É uma rocha, partida e restaurada, que fica na praia. Provavelmente eles amarravam seus barquinhos nela para chegarem até a praia. Ali, ajoelhamos e oramos, e choramos por esta nação. O Senhor nos guiou em cada palavra. Era o Brasil abençoando os EUA. Pagando a dívida de amor por tantos missionários que se deram em nosso país e em todo o mundo (trouxeram o Evangelho, o movimento pentecostal, a renovação espiritual entre os batistas nacionais, e ainda hoje são o maior contingente e sustento financeiro missionário do planeta) Há muito o que se arrepender, mas há muito que se aprender aqui também. E nós ali, prostrados naquele chão molhado pela chuva (só choveu ontem! Sinal de Deus para nós!), abençoamos e clamamos: “USA, volta para o primeiro amor!” E a glória de sua restauração será maior que a dos primeiros dias. E o Senhor fortalecerá seu remanescente nessa nação, que geme e ora por esta restauração. Havia várias pessoas ali. Em um determinado momento ouvi o silêncio, e pensei que haviam ido embora. Mas a Zê viu que as pessoas passaram a respeitar e a entender o que estávamos fazendo e quando comecei a cantar duas mulheres e um homem choraram, e ao saírem, levantando as mãos, bateram nos ombros da Zê como se dissessem que aprovavam nosso ato.
A canção que o Senhor me direcionou a proclamar foi “Tudo vem de Ti, Senhor, e das Tuas próprias mãos de damos (ação de graças). Quem há semelhante a Ti? E a quem pode ser comparado? Deus que tudo fez, tudo é Teu” numa declaração de que este país e tudo o que nele há, todos os que nele habitam pertencem ao Senhor. E depois, passei a cantar em inglês um cântico espontâneo abençoando a América e declarando o Reinado do Senhor. Foi muito precioso. Ao irmos embora, dei uma entrevista em uma rádio, e o Senhor me levou a compartilhar, a publicar o que havia sido feito, selando aquele momento. Mal pude me conter quando o entrevistador chamou uma pausa e tocou a música “Tudo vem de Ti”, confirmando o que o Senhor estava realizando naquela tarde. Aleluia.
Ali, na porta de entrada desta nação, consagrei minha vida ao Senhor mais uma vez, e a voz profética que me deu, para que use para liberar Seu Rio, que corre do trono, do Trono dos louvores do Seu povo, para a cura dos povos, para a cura desta nação. E à noite, no culto, o rompimento foi real. A cura foi liberada. Sei que não somos os únicos, mas a nós cabe uma parte importante nesta restauração.
Obrigada, Senhor, por me mostrar parte do Teu lindo plano, que passa por vales e altas montanhas, oásis em desertos, primaveras e invernos, mas que certamente irá se cumprir. Eu sou totalmente Tua. Usa-me, e a minha família, como quiseres.
Já compartilhei tudo isso com o Gustavo, e ele esteve orando todo o tempo durante nosso ato profético em Plymouth. Nossa vida está nas mãos do Senhor. Amém.
…Oramos por um irmão mexicano que estava todo o tempo em Boston conosco, e ele nos abençoou, pois esta nação também fala espanhol, e o Senhor tem aberto as portas e os corações dos hispanos. Aleluia.
… Agora me preparo para o culto desta noite. Certamente grandes coisas o Senhor fará nas vidas, que clamam por socorro, e nós rasgaremos os céus desta cidade, desta nação, enquanto O adoramos.